HISTÓRIA

Origem do esporte

Ninguém sabe precisar as origens do jogo de Golfe. Alguns sugerem que ele realmente começou nos tempos medievais, com os pastores batendo em pedras para os barrancos com seus cajados, enquanto gastavam suas bucólicas horas cuidando das ovelhas. Esta versão, inclusive traz o fato de que com o tempo as pedras eram revestidas com os intestinos destes animais, e as trincheiras (Bunkers – que deu a origem às ‘bancas’ ) que serviam para proteger os animais do mau tempo, já serviam de obstáculos para os futuros greens.

A versão mais conhecida é de que deriva de um jogo Holandês, o KOLF, documentado tanto no começo quanto no final do século XIII, e pintado em várias paisagens holandesas do século XVI. Os golfistas jogavam através dos campos com um taco e bola, mas não para um buraco, mas para um local determinado, em geral, a porta de uma construção específica, inaugurando a tradição do Buraco 19, o Bar do Golfe. Desde estes tempos, quem batia menos na bola, vencia. Mas foi de fato na Escócia, entretanto, que o jogo realmente se desenvolveu. De cima abaixo na costa leste deste país, se tornou um passatempo tão popular, que em 1457, James II, em um Ato do Parlamento, baniu tanto o golfe quanto ao futebol, pela razão de que estavam interferindo na prática do arco e flecha. Nesta época, era fundamental que o exército estivesse afiado nesta arma, para poder manter a Inglaterra à distância.

O jogo continuou exclusividade dos Escoceses até que James VI da Escócia se tornara também rei da Inglaterra, e levou o jogo para todo seu reinado. Em Blackheath, agora Royal Blackheath ao sul de Londres, o nobre escocês construiu o primeiro campo na Inglaterra, com sete buracos, para que pudesse continuar a prática de seu amado esporte. Os primeiros campos guardam pouca semelhança com os de hoje. Naquela época , era jogado em terrenos públicos tendo que disputar espaço entre outros esportes, tal como equitação , cricket, pic nics, e até futebol.

Caddies eram contratados pelos nobres não somente carregar os tacos – bolsas só foram inventadas em 1870 – mas para limpar as bolas como também achá-las e, sobretudo para negociar a passagem por este local, limpando a área. Os campos eram cortados apenas por ovelhas e coelhos e não haviam locais específicos como os TEES, sendo que os golfistas iniciavam o novo buraco, a apenas alguns metros do buraco anterior.

As regras, é claro, se desenvolveram através dos anos e clubes de golfe se formaram. O mais antigo destes, A Honorável Sociedade dos Golfistas de Edinburgh, hoje com sede em Muirfield onde se realiza também o British Open, foi fundado em 1744, e 10 anos após , A Sociedade dos golfistas de Saint Andrew’s. As regras dos clubes se tornaram padrão seguindo St Andrew’s, que possuía 18 buracos. Antes de 1764 este campo tinha 22 buracos, outros tinham apenas 6, e muitos destes tinham 25.

Anos após, em 1834, quando passou a se chamar Royal and Ancient Golf Club of St Andrew’s , esta determinou e todos concordaram, que a uma partida de golfe deveria ter 18 buracos, e conta a lenda, o mesmo número de 18 doses de uma garrafa de whisky, a ser consumida durante ou depois do jogo!!! O primeiro torneio profissional de golfe, em homenagem ao primeiro grande golfista profissional, Allan Robertson, tomou cena em Prestwick, em 1860. No ano seguinte, esta competição se tornou aberta também a amadores sendo em 1861 o primeiro Open Championship. A primeira premiação, de 10 Libras, aconteceu em 1863 tendo sido vencido por Tom Morris (Old Tom Morris) em outras três vezes. Em 1868, seu filho adolecente (o “jovem Tom Morris”) , ganhou o OPEN por três vezes consecutivas, ficando definitivamente com o troféu, de acordo com as regras. O OPEN foi então suspenso por um ano, até a criação de um novo troféu, e o jovem golfista continuou a ganhar, pela quarta vez consecutiva. Alguns dos notáveis jogadores nestes últimos 100 anos, são abaixo brevemente apresentados com suas maiores façanhas.

Harry Vardon – 1870/1937 – Americano , ganhou 6 British Open e um US Open. Ele popularizou, apesar de não Ter inventado, o Vardon Grip, que sem dúvida alguma revolucionou o jogo através da incrível potência que gerou em seu jogo. Com J.H.Taylor e James Braid – O Grande Triunvirato- dominou o jogo durante quase 25 anos. Com 50 anos , ainda era bom o bastante para ser um Runner up, ou última turma , no US Open.

Walter Hagen – 1892/1969 – Americano, ganhou 11 Major Championship – 2 US Open, 4 British Open e 5 USPGA Championship, incluindo 3 em seqüência, capitaneando o time americano nas primeiras 6 vezes da Ryder Cup. Sua frase predileta antes dos torneiros era: “Quem vai ser o segundo” ? Hagen viajou ao redor do mundo dando exibições e jogando torneios em um estilo de vida excitante , e se não ficou milionário, viveu como um.

Robert Tyre (Bobby) Jones Jr – 1902/1971 – Americano, jogou toda sua vida como amador. Tendo se graduado como advogado e engenheiro, ganhou 5 US Amateur (Amador dos USA), 4 US Open, 3 British Open, e um British Amateur, em um espaço de 8 anos apenas, antes dos 30 anos. Em 1930, ganhou o então Grand Slam, vencendo os Aberto e Amador dos Estados Unidos e Grã Bretanha, quando então se aposentou para seguir sua formação profissional, dedicando-se à família. Depois de se aposentar, uniu esforços com Clifford Roberts, um banqueiro , para fundar o Augusta National Golf Club, onde se realiza o Masters Championship. Desde 1934, profissionais e amadores competem pela desejada Green Jacket – Paletó Verde tradicional do Clube – onde o prêmio substancial nunca mencionado, vale menos que a honra de ganhar dos melhores naquele campo. Tornou-se também grande escritor, com artigos clássicos e livros de alta percepção do jogo.

Golfe no Brasil

A chegada do golfe ao Brasil ocorreu de forma curiosa. No final do século XIX, engenheiros ingleses e escoceses que construíam a Estrada de Ferro Santos – Jundiaí, a São Paulo Railway, convenceram os monges beneditinos a ceder parte do terreno do Mosteiro de São Bento para a construção do primeiro campo de golfe do país, na região atualmente situada entre a Estação da Luz e o rio Tietê.

A expansão da cidade em direção ao rio obrigou a transferência do campo, em 1901, para um local próximo à confluência das avenidas Paulista e Brigadeiro Luiz Antônio, local este, até hoje, denominado “Morro dos Ingleses”, devido aos tais “ingleses” que jogavam seu golfe ali. Fundou-se então o “São Paulo Country Club”, que teve o primeiro campeonato interno vencido por J. M. Stuart, em 1903. Depois de nova transferência para o Jabaquara, o campo foi estabelecido definitivamente em 1915 num terreno cedido pela Light, na região de Santo Amaro, com o nome de São Paulo Golf Club. No mesmo ano surgiram mais dois campos, o Santana do Livramento Golf Club, no Rio Grande do Sul, e outro na cidade de São Vicente, no litoral de São Paulo, num terreno que foi entregue a Henrique Lisboa Wright para saldar uma dívida, posteriormente transformado num campo de nove buracos. Wright é avô de Jesse Rinehart Jr., que anos mais tarde seria um dos fundadores e primeiro presidente da Confederação Brasileira de Golfe.

No Rio de janeiro, na década de vinte, nasce o Gávea Golf & Country Club, encravado entre o mar e as montanhas, um dos campos mais bonitos do mundo. Na década de 30, surge o Itanhangá Golf Club, cujo percurso atual em nada lembra o trajeto plano e fácil construído por aduladores para facilitar o jogo do presidente Getúlio Vargas, que não tinha bom desempenho no difícil campo do Gávea.

O jogo

O objetivo do jogo é embocar a bola em um buraco (hole) marcado com uma bandeira (Pinn), partindo de um local pré determinado (tee) , em menos tacadas possíveis (strokes). O vencedor será aquele que fizer menos tacada no total (stroke play), ou no buraco (match play). No segundo caso, aquele que ganhar o maior número de buracos. Para tanto, o jogador deverá golpear a bola com um taco, através de um movimento circular ao redor de seu corpo, chamado de swing. Se usar outra parte de seu corpo, como seu pé para chutar a bola, por exemplo, incorrerá e penalidade.

O jogo é desenvolvido em 18 buracos, variando a cada campo o número de tacadas estipuladas, conhecido como PAR. Na verdade, cada buraco terá o PAR 3, 4 ou 5 (raros são os PAR 6) e a soma de todos os buracos dará o PAR do Campo.

O jogo poderá ser jogado solo, ou em até 4 parceiros, formando uma quadra. Alguns Campos permitem que se jogue em até 5 golfistas. A ordem de saída dos jogadores será definida pelo Handicap (índice médio de tacadas acima do PAR), através de sorteio ou será iniciado por aquele que fez menos tacadas no buraco anterior (honra).

O jogo não termina quando o último jogador embocar sua bola no buraco 18: segue-se então para o “Buraco 19”, o Bar do Golfe, onde o cartão de anotação de cada jogador será conferido, somado, diminuído o Handicap, assinado e colocado na caixa de cartões .

Os equipamentos

Tacos – Madeiras, ferros, putter, wegdes
Bolas – Mole ou dura, branca ou colorida
Luva – Couro ou sintética, destro ou canhoto
Tee – Madeira ou plástico
Bolsa – Com ou sem tripé, em couro ou naylon, até 14 tacos
Sapatos – Com ou sem travas (spike), em couro ou sintético
Vestuário – Calça ou bermuda de golfe, camisa pólo
Boné – Ou chapéu em estilo próprio
Marcador – Especial ou apenas uma moeda
Arrumador de pique – Ferramenta para repor a grama na marca feira pela bola. Pode ser um tee
Caddie – Aquele que carrega a bolsa
Protetor solar – Jamais ir ao campo sem, pois o tempo de exposição é excessivo, cerca de 5 horas para um jogo completo
Toalha – Para limpar a bola, o taco, as mãos e o rosto

O golfista deverá possuir, no mínimo, um taco e uma bola para poder jogar, sendo que estes tacos podem chegar a um número de 14 em sua Bolsa (mala especial), que carregará quantas bolas (especiais para o jogo) achar necessário para jogar, eis que muitas podem ser perdidas durante uma partida. Um golfista poderá ou não usar uma luva, geralmente na esquerda para os destros, na direita para os canhotos. As melhores são feitas de Cabreta (couro) como podem ser feitas de tecido sintético, mais baratas e duráveis.

Se quiser, a cada Box (tee) de saída, poderá usar um Tee, pequena peça de madeira ou plástico, parecido com um prego, que serve para apoiar a bola, levantando-a acima do solo, o que facilita a batida.

Os sapatos são especiais para o jogo, pois em sua sola possuem travas especiais, visando dar estabilidade durante o movimento de bater na bola (swing). Mas tênis também são permitidos. Deverão ser à prova d’água, uma vez que caminhamos na grama, úmida devido ao tempo ou à irrigação.

As roupas poderão ser calças ou bermudas no modelo de golfe (em geral de Sarja até o joelho) sendo as camisas modelo Pólo. Bonés ou chapéus, além de proteger contra o sol, ajudam a mirar, pois tiram a luz dos olhos. Óculos conforme a preferência do jogador. Abrigos para a chuva fazem também parte do equipamento, como também um bom guarda-chuva, pois o jogo se joga em dias de tempo ruim também. Porém, nunca esquecer de passar protetor solar nos dias de sol.

A bolsa poderá ser levada em um carrinho de puxar, ou em um CART (carro elétrico ou à gasolina) levando em geral 2 jogadores. O caddie, uma pessoa que carrega a bolsa, deverá ser considerado como parte do equipamento, pois pode e deve auxiliar no jogo.

As regras

Não são muitas as regras a serem estudas para se jogar golfe. Os princípios gerais de bom senso servem para os iniciantes. Quem fizer menos tacadas ganha o buraco, e depois de somadas, o jogo. Para se equilibrar o jogo entre todos , foi criado o Handicap. Diz a lenda que um grande cavaleiro, para dar uma chance aos oponentes na competição de equitação, montava segurando a aba de seu chapéu ou boné ( hand /Cap). Nasceu daí um sistema fantástico, da média de tacadas acima do Par do Campo, que mede a competência e iguala os jogadores, podendo um novato derrotar um veterano. Existe também o jogo sem handicap, onde quem fizer menos vence.

As interpretações das regras, porém, cabem em um grosso livro de jurisprudência. Cada situação pode levantar uma série de interpretações a respeito dos problemas, devendo uma comissão de árbitros resolver os dilema. Basicamente, a não ser no tee de saída, devemos bater na bola de onde ela se encontra. Cada vez que ela se mover, ou tentar ser movida, contará uma ou mais tacadas, dependendo do resultado. Existem situações que teremos que tomar uma, duas e até quatro penalidades para podermos continuar o jogo. Depois de ser dada as tacadas no tee de saída, a regra é bater quem está mais longe do buraco, até o último embocar. Segue-se então para um novo buraco, após declarar e anotar o score no cartão.

Uma parada no meio do jogo, buraco 9, é comum entre os jogadores. Em Torneios profissionais, não há parada. Cada jogo dura entre 3 e 5 horas. Uma boa média é de 4 horas. Regras de etiqueta são observadas , tais como ficar imóvel, em silêncio, longe e atrás da bola o suficiente para não atrapalhar a tacada do seu parceiro. No putter, não ficar ou pisar na linha de jogo, que passa entre a bola e o buraco. Qualquer um que pretenda manter seus amigos e conhecer novos parceiros deverá ser portar conforme o figurino!

O swing

O Swing traduzindo, é “o balanço”. Um movimento pendular, com o jogador fazendo seu eixo e girando o taco ao redor de si, ou abaixo de si em movimento circular ou pendular.

Basicamente o jogar irá girar o taco ao redor de seu corpo, tentando gerar o máximo de energia para acertar a bola, mandá-la em determinada direção e distância.

O menor swing é o do putter, aquele utilizado dentro do green, rolando a bola para o buraco. O maior e mais possante, o Full Swing, serve para os outros tacos da bolsa.

No swing, iremos girar para trás (backswing) até o máximo de torção, usando as pernas, o tronco, o braço e o até os pulsos, rodando o taco ao redor e para cima. Depois, basta inverter o percurso em direção a bola, acertá-lo, e terminar o swing até o fim (finish). Um dos princípios é manter o olho na bola e a cabeça parada, tentando assim, ganhar equilíbrio e precisão. Apesar do taco não ser exatamente pesado, ao se aplicar a fórmula E=MV2 (energia cresce diretamente proporcional à massa, e no quadrado da velocidade), veremos que o importante é a velocidade e não a força, para se conseguir uma tacada longa.

A técnica do swing, e suas variações, têm sido evoluído como o passar dos anos, tentando aproveitar o máximo do corpo humano, evitar lesões e melhorar a capacidade de repetição. Afinal, consistência é o sonho de todo golfista.

O campo

Um campo golfe, na verdade, é a soma de vários pequenos campos, conhecidos como Buracos. Estes devem conter uma área de saída (Tee), delimitada por duas marcas espaçadas entre si o suficiente para caber um golfistas e a projeção de seu movimento. Deverá conter também um buraco, marcado por uma bandeira, geralmente cercado de grama cortada bem baixa, para que a bola possa rolar. O que ficar entre estes dois pontos vai determinar o número de tacadas necessário para jogá-lo (PAR). O número mágico de 18 buracos foi instituído no século XVIII, mas existem campos desde apenas 1 green, e vários Tee’s. Para competições, devido ao número de adeptos, há preferência por campos de 18 buracos. Existem complexos que possuem mais de 5 campos em suas dependências, alegrando a todos os níveis de golfistas.

Um Campo de Golfe poderá ser acompanhado por uma Sede, um Campo de treinamento (Driving Range), e também por outros esportes. Golfe e Tennis possuem uma ligação antológica, eis que o primeiro herda os adeptos do segundo com grande freqüência. Existem arquitetos especializados em desenhar Campos de Golfe, e realizam verdadeiras obras-primas, aproveitando-se do relevo, da vegetação para criarem paisagens deslumbrantes. Os Campos devem ter projeto de irrigação e drenagem, para que possam ser utilizados em dias de chuva. Sua conservação demanda grande esforço e mão de obra especializada, visando torná-lo perfeito para ser jogado o ano inteiro.

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