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GOLFE, COVID-19 E BEM-ESTAR

Por Marcelo Bendhack*

Em tempos de pandemia de Covid-19, garantir o tratamento médico para todos e ter genuína preocupação pelo bem comum são desafios concretos.

Como médico, meu olhar está sempre para a prevenção, para a saúde física e mental. Nesse contexto, a prática esportiva é um dos mais relevantes “tratamentos”, porque promove sempre o bom e velho ditado: mente sã, corpo são.

Como em todo esporte, temos que observar regras e regras, situações diversas e adversas, a prática individual ou a coletiva. Para todas as modalidades, assim como os cuidados de uma forma geral, em meio à pandemia o pior cenário é a aglomeração.

Admiro todas as modalidades e a competitividade saudável. Mas trato aqui, em particular, do esporte que pratico: o Golfe. É um esporte que costuma ser exercido, geralmente, na fase adulta da vida e na terceira idade. Além do imprescindível movimento do corpo, o golfista precisa de estratégia, aliada à técnica, de observação, de um olhar atento e apurado. Ao mesmo tempo que exige extrema concentração a cada jogada. Há concomitantemente uma liberação de energia, que desestressa. 

Nada melhor que um esporte que não estressa, que no final todos saem mais leves, de corpo, mente e alma. Sobretudo hoje, com isolamento social e afastamento das coisas que nos dão prazer. Mas ao evocar um “novo normal”, temos nos deparado com coisas estressantes. No golfe não seria diferente.

Antes de mais nada, o golfe é um esperte coletivo, sim, mas praticado à distância. Pode-se admitir 2, 3 ou 4 jogadores. Consideradas razoáveis e permitidas, dentro de princípios da observação ao bem mais fundamental de todo ser humano que é a SAÚDE, não faz sentido impor certos limites. Os golfistas são desportistas com elevado senso de distanciamento e etiqueta, necessários à boa prática deste esporte.

Vamos aos fatos:

Um campo de golfe oficial tem nove ou dezoito buracos, ou seja, nove ou dezoito Fairways. Cada Fairway tem de 25 a 30 metros de largura e 300 a 500 metros de comprimento. O comprimento dos Fairways define o número do “par” do campo. Levando em conta esses números, mais os espaços necessários de segurança e os espaços entre os Fairways, um campo de golfe com 9 buracos necessita de uma área aproximada de 25 a 30 hectares – 250.000 a 300.000 metros quadrados – e o de 18 buracos, aproximadamente, o dobro, ou seja, de 40 a 50 hectares.

Não há um campo de golfe igual a outro. Por isso, cada campo é um novo desafio. Em outros números, um campo de golfe oficial ocupa cerca de 1.000.000 (um milhão) de metros quadrados. O percurso total de 18 buracos, geralmente, tem cerca de 6 km de extensão em linha reta e demora perto de 4 horas e meia para ser concluído.

O Golfe é um dos poucos esportes que não exige uma área de jogo normalizada (igual ou idêntica em todos os casos). Cada buraco inclui uma área de terreno inicial (tee ou área de saída) e uma área final (green), na qual se encontra o buraco propriamente dito. Entre as duas áreas existem diversos tipos padronizados de terreno e obstáculos, e cada buraco possui uma configuração única.

Trata-se de um esporte no qual os jogadores usam diversos tipos de tacos para arremessar uma bola para uma série de buracos numa vasta extensão de terreno, usando o menor número possível de tacadas. Por equipamento de golfe entende-se o conjunto de utensílios que o jogador de golfe deverá dispor para praticar este esporte e que engloba os seguintes materiais: os tacos, as bolas, a saca, o carrinho, a roupa, a luva, os sapatos, além de outros apetrechos.

Os materiais absolutamente fundamentais para a prática do jogo são os tacos, as bolas e a saca. Detalhe: todos esses são de uso individual. Não há trocas ou possibilidade de contaminação cruzada entre os participantes.

As saídas entre as turmas, que podem ter 2, 3 ou 4 participantes, são estabelecidas a cada 9 minutos de intervalo. A distribuição no campo e densidade demográfica durante o jogo, no campo, de dimensões absolutamente favoráveis, não configuram contato próximo e, consequente, com mínimo poder de contágio por doenças infecciosas, seja Covid-19 ou qualquer outra.

Como já abordei, o Golfe é um esporte saudável e desestressante. Mas o “novo normal” institui que a prática desse esporte deve se limitar a 2 ou 3 jogadores. Acontece que a prática deste esporte, cujo risco de contaminação da COVID-19 é muito baixo, dada as circunstâncias dos terrenos, dos materiais e o número de jogadores, não faz sentido algum impor limites.

Arrisco a dizer que se fossem 8 jogadores (o dobro do máximo, que é 4) na mesma saída, mantidas as regras, os intervalos e o distanciamento que é próprio do Golfe, ainda assim as chances de contaminação por Covid-19 seriam muito baixas. Além disso (jogar em 2 ou 3 parceiros, impedindo a presença de 4 jogadores), vemos com lamento, pois são decisões desprovidas de bases científicas, assim como algumas orientações como o fechamento de campos em dias nobres, domingos e/ou feriados.

Outro fato que merece comentário é a decisão pelo preenchimento dos buracos com espuma, para que a bolinha não adentre profundamente o seu destino final. Em alguns casos, por excesso de preenchimento, muitos jogadores, apesar de excelentes tacadas, têm visto suas bolinhas entrar e sair do buraco em função desta lamentável, interessante, mas um pouco excessivamente produzida modificação. Precisamos de bom senso, mas não de excesso de preenchimento.

Como é fácil perceber, não defendo o Golfe por corporativismo. Defendo, sim, o bom senso. Hoje, sabemos mais do que nunca o valor da vida e da nossa saúde. Se uma partida de Golfe terá 2, 3 ou 4 jogadores, isso é relativo. Mas para determinar isso é preciso ter conhecimento de causa, conhecer os meandros e as regras do esporte. E compreender que é saudável toda e qualquer competição dinâmica, desestressante e propulsora de bem-estar.

*Marcelo Bendhack é Mestre e Doutor em Urologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR/1999). Doutor em Uro-Oncologia pela Universidade de Düsseldorf, Alemanha (2001). Especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e Presidente da Sociedade Latino-Americana de Uro-Oncologia (UROLA). Membro do conselho na Federação Mundial de Uro-Oncologia (WUOF) e do corpo clínico do Hospital Nossa Senhora das Graças (Curitiba/PR) e do Hospital Santa Catarina (São Paulo/SP).

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